DIÁRIO DE BORDO

17/07/2019

As 5 lições de um ex presidente do FED

"It was 8:00pm Tuesday, September 16, 2008. I was exausted mentally and emotionally drained, but I could not sit."

Eram 20h de uma Terça-feira, dia 16 de Setembro de 2008. Eu estava exausto mentalmente e emocionalmente drenado, mas eu não conseguia sentar.


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Imagine que você tenha assumido a presidência do Fed, o Banco Central americano.

De certa forma, suas decisões influenciam o resto do mundo. É como se um órgão importante do corpo estivesse em suas mãos – e respondesse aos seus estímulos.

Por exemplo, uma das funções básicas do Fed é controlar as taxas de juros – e aqui estamos falando dos Estados Unidos, uma das maiores potências mundiais. Assumir a direção de uma instituição como essa é, no mínimo, um ato de responsabilidade.

É exatamente isso que o Ben Bernanke escreve em seu livro "The Courage to Act" (A Coragem de Agir), um dos mais vendidos segundo o New York Times. A bolha imobiliária americana iria explodir pouquíssimo tempo depois de Ben ter ocupado o cargo, expondo todas as vulnerabilidades do sistema financeiro global e o levando à beira do colapso. Em 15 de setembro de 2008, marco importante da crise, um dos bancos de investimentos mais tradicionais dos Estados Unidos, o Lehman Brothers, declarou falência. Bolsas de valores despencaram, intensificando o clima de pânico que exigia medidas cirúrgicas.

Bernanke conta toda a história que sucedeu após o caos. O trecho citado acima é justamente o começo: o fatídico dia seguinte à segunda-feira negra, dia 16 de setembro. Toda a narrativa é contada com a riqueza de detalhes de quem viveu cada momento. A tensão, o desespero e os recursos que sua equipe encontrou para lutar contra a crise, usando todas as ferramentas existentes. Apesar de muitas desconfianças, Ben Bernanke surpreendeu o mercado ao injetar bilhões de dólares quando a crise passou. Foi por ter-se mantido firme que ele conseguiu tomar as iniciativas que tomou, tendo papel crucial ao atravessar o período sombrio.

Recentemente, tive o prazer de estar com ele em um café da manhã. Muito assertivo, Bernanke falou sobre a economia global e o que ele vê à frente. Fiz algumas anotações que resumo a seguir. Conhecimento bom é conhecimento compartilhado. Na verdade, eu teria uma dúzia de aprendizados para "passar para frente", mas hoje, fico com estes:



As 5 lições de um ex-presidente do FED

#1 - Hoje, há mais instrumentos para evitar uma nova crise

Estamos possivelmente na maior expansão econômica da história, mas a economia americana está em maior expansão. De fato, a possibilidade de usar o instrumento de política monetária está mais limitada (os juros estão muito baixos), mas há outros meios para se evitar uma nova crise. O Fed trocou sua política de contracionista por uma postura mais neutra, justamente por causa do risco global.

#2 – E a Guerra comercial, hein?

Como você deve ler por aí, EUA e China vivem uma guerra comercial. Esse é um dos motivos pelos quais o mercado espera mais cortes de juros a frente nos EUA. Ben Bernanke não acha provável que Trump continue firme na briga levando a um cenário de recessão. O fato do mercado precificar tantos cortes causa um certo desconforto para o Fed. Bernanke acredita que as próximas reuniões tenham algum tipo de "hawkish cut". (Explicando melhor, os adjetivos dovish (pomba) e hawkish (águia) também podem ser usados para qualificar discursos e comunicados dos bancos centrais, indicando se o banco central está mais próximo, no futuro, de cortar juros ou de subir juros no futuro, respectivamente.)

#3 – Tem risco?

Ben indica que hoje os riscos que vê são a guerra comercial e a China propriamente dita. Ele não vê riscos altos para a economia americana. Diz que o que mata uma expansão em geral é o Fed subir juro (o que não vê acontecendo no curto prazo), uma crise financeira (que também não está clara e o Fed está mais cuidadoso do que no passado) e crises de oferta. Pode haver algo, mas acha pouco provável. Disse ainda que pode haver um risco para crédito corporativo, que está com prêmios muito apertados.

#4 Como lidar com as Criptomoedas?

Nesse assunto ele foi taxativo: o Bitcoin é moeda para esconder dinheiro de crimes ou evasão fiscal. Já a Libra (projeto de criptomoeda "patrocinado” pelo Facebook) é outra coisa, apenas um meio de pagamento, não tem nada a ver com isso. Ele diz acreditar que a Libra pode resolver um problema que existe hoje: a falta de uma moeda global para transações. Como o Facebook é uma plataforma já difundida em todo o mundo, pode ser que a adesão seja boa. É muito complexo transferir dinheiro de um país para outro hoje em dia. Isso é claramente um problema para os bancos centrais, principalmente em termos de controle de lavagem de dinheiro, e ferramentas como know your client etc.

#5 – Desconfie do que se lê por aí

Nas métricas do Fed, o S&P 500 não subiu demais. Se as pessoas tivessem seguido o que o Wall Street Journal diz, ninguém tinha pegado o "rali" dos últimos anos. Parece que o S&P está em nível alto, mas não alto demais. Ou seja, desconfie do que você lê por aí.

Para quem não tem tanta familiaridade, o S&P 500 (abreviação de Standard & Poor's 500 e também conhecido por "o S&P" é de um índice composto por quinhentos ativos (ações) cotados nas bolsas de NYSE ou NASDAQ, de acordo com seu tamanho de mercado, sua liquidez e sua representação de grupo industrial. É um índice ponderado de valor de mercado (valor do ativo multiplicado pelo número de ações em circulação.



Lado a Lado com o gestor - Vinci Partners

Com uma visão estrutural bem consolidada ao mesmo tempo que têm uma flexibilidade de mudar as posições, a Vinci Partners acumula mais de R$28 bilhões sob gestão, mais de R$3 bi em Previdência.


Neste vídeo, Fernando Lovisotto (CIO) e Ronaldo Boruchovitch (Head de Distribuição) falam um pouco de como esses bilhões são divididos em 7 áreas diferentes de gestão. O fundo de previdência deles, o Vinci Equilíbrio FIM, faz parte do FoF SuperPrevidência, o primeiro produto da Vitreo.

Assista agora aos convidados do Lado a Lado com o Gestor dessa semana. Acompanhe o que eles falaram do momento de juro baixo no país, como enxergam as oportunidades de mercado e os rumos da previdência.



Vem aí o FoF SuperPrevidencia 2, avise aos amigos!

Aproveitando o clima do dia 20/07, Dia do Amigo, você pode fazer uma boa ação e encaminhar este link para aquele amigo que ainda está na previdência do bancão ou que não conseguiu investir no primeiro SuperPrevidência.

Afinal, quem avisa, amigo é...

O SuperPrevidência 2 está quase nascendo e não queremos que ninguém fique de fora.

Com muita negociação e trabalho em equipe, muito em breve estaremos colocando ele no ar.

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Um abraço,
Jojo

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