CARTA SEMESTRAL

julho/2019

Vitreo FoF SuperPrevidência

Download PDF

Olá! Não sei se você lembra, mas combinamos de bater um papo no convés a cada 6 meses.

O FoF SuperPrevidência foi o primeiro barco que a Vitreo colocou no mar, lá em outubro de 2018. Em janeiro, escrevemos um pouco sobre como a rota seria feita e, cá estamos nós de novo.

O que aconteceu neste tempo?

Mudamos bastante a carteira, aumentando o equilíbrio entre classes de ativos e incluindo 7 novos fundos.

Vamos falar de forma mais detalhada sobre a rentabilidade da carteira (que por sinal foi muito boa nesse primeiro semestre).

E foi também nesse primeiro semestre que decidimos fechar o plano para novas contratações para não diluir a alocação em alguns gestores com limitação de capacity.

Vamos falar de todos esses pontos ao longo da carta.

Para você que já leu a carta semestral do FoF Melhores Fundos, a parte que fala sobre o comportamento do mercado no primeiro semestre é igual, então fique à vontade para pular ela.



Como está a carteira do FoF SuperPrevidência?

Ao longo do primeiro semestre de 2019 fizemos algumas mudanças importantes da carteira do FoF.

Seguindo a indicação da publicação "Melhores Fundos de Investimento", da Empiricus, fizemos 3 importantes movimentos no fundo:


1. Investimos em "Proteções"

Alocamos 5% da carteira em 2 ativos que chamamos de “Proteções” devido à correlação negativa que eles têm com o restante da carteira. Ou seja, normalmente, eles se movimentam em direção contrária aos demais ativos em carteira. Eles não são um “hedge” ou um seguro perfeito, mas ajudam a reduzir o risco total da carteira.

Os ativos investidos foram:

SPXI11 (ETF S&P500) é um ETF, fundo que replica o índice norte-americano S&P 500, composto pelas 500 maiores empresas listadas na bolsa de valores americana. Dentre as alocações da carteira, podemos citar empresas como Amazon, Google e Apple. O fundo, gerido pelo Itaú Unibanco, tem como objetivo servir de proteção contra variações negativas na economia brasileira. O fundo tem risco moderado e tem exposição total à moeda norte-americana.

Pimco Income Dólar FIM IE é um fundo de renda fixa internacional da PIMCO, gestora americana com cerca de 1,76 trilhões sob gestão. O fundo investe toda sua carteira no exterior, em ativos de renda fixa e moedas. O fundo tem risco moderado e tem exposição total a moeda norte-americana.


2. Aumentamos a exposição a risco da carteira

Com a inclusão das “Proteções” na carteira, ganhamos espaço para aumentar o risco da carteira. E fizemos isso em 2 frentes. Aumentamos a alocação em Multimercados de 33,50% para 42,50%, aumentando o % investido em alguns fundos e com a inclusão do fundo abaixo:

Kinea Prev I XTR Icatu FIM Prev FIFE é gerido pela Kinea, gestora com foco em ativos alternativos pertencente ao Banco Itaú. O fundo é comandado por Marcos Freire, que coordena as recomendações de uma equipe de renda fixa, renda variável, juros e moedas. Investe cerca de 75% no mercado local e o restante nos mercados internacionais. O fundo tem nível moderado de risco.

Também aumentamos consideravelmente a alocação em Renda Variável, passando de 8,25% para 16,25%, com a inclusão dos dois fundos abaixo.

Brasil Capital Icatu 100 Prev FICFIA é gerido pela Brasil Capital, gestora com foco em renda variável no mercado local. Comandada por Andre Ribeiro, a casa investe em ações com foco no longo prazo e preferencialmente em empresas com liquidez diária superior a R$ 15 milhões. Preferem investir em empresas midcap com provado histórico de sucesso. O fundo investe 100% em ações e, portanto, tem o risco elevado.

Apex Long Biased Icatu FIM Prev FIFE é gerido pela Apex, gestora com foco em renda variável. O fundo, sob os cuidados do Fábio Spinola e equipe, segue a estratégia long biased, onde investe principalmente em posições compradas, mas tendo também algumas posições vendidas a fim de se beneficiar de momentos de queda. O fundo investe 100% em ações e, portanto, tem o risco elevado.

Ainda estamos aguardando a indicação de mais um fundo de Renda Variável, que levará a alocação para 20%.


3. Diversificamos a alocação em Renda Fixa Crédito

Além da inclusão das “Proteções” na carteira, também mexemos na alocação de renda Fixa Crédito, buscando uma maior diversificação e consequente redução do risco total.

Aumentamos a alocação de 25% para 30% da carteira, mas dividimos esse percentual igualmente entre 3 fundos, com a inclusão dos 2 fundos abaixo:

Brasil Plural Portfolio FIC FIRF CrPr é gerido pela equipe de crédito da Brasil Plural, comandada pelo Rafael Zlot. O investe entre 50%-70% de seu patrimônio em títulos de crédito privado e a parcela restante em títulos públicos. Dentre os títulos privados, o fundo investe principalmente em Debêntures de empresas listadas na bolsa de valores. O fundo tem risco de crédito moderado.

CA Indosuez Heritage FIRF CrPr é gerido pelo time de crédito privado do banco francês CA Indosuez, liderado pelo André Fadul. O fundo foi constituído no mês de maio, replicando a estratégia dos fundos mais antigos da casa, Vitesse e Grand Vitesse. Investe até 90% em títulos de crédito privado, sendo principalmente em Debêntures. O restante é investido em títulos públicos, através de LFT e operações compromissadas. O fundo tem risco de crédito moderado.

As implementações descritas acima foram executadas ao longo do semestre e em contrapartida, reduzimos a alocação em Caixa (em particular no Icatu Seg Vitreo Conservador FIC FI RF) de 33,25% para 6,25%.

Caso você queira relembrar as explicações dos demais fundos em carteira, recomendo a leitura da carta semestral que enviamos em janeiro/2019 (link)

Montamos a tabela abaixo para nos ajudar nessa explicação.

db_15082019_img_01

*Fonte: Carteira Vitreo FoF SuperPrevidência Icatu FIM.



Como os gestores estavam posicionados (no que eles apostaram) nos primeiros 6 meses de 2019

No início de janeiro, de acordo com nossos cálculos, aproximadamente 21% da carteira do FoF SuperPrevidência estava indiretamente alocada em títulos privados, 10% em ações, 14% em operações compromissadas e o restante em títulos públicos.

A fotografia do final do semestre mostra um aumento da alocação em ações para 18%, títulos privados subindo para 24%, reduzindo operações compromissadas para 10%, 5% investidos em ativos no exterior e o restante em títulos públicos.

Essas alterações se deveram tanto pela mudança de posicionamento dos gestores, quanto pelos novos fundos na carteira.

Ao analisarmos as posições combinadas dos fundos investidos em mais detalhes, o FoF concentrava, no último bimestre do ano, suas principais apostas nas seguintes teses:

  • Alta da bolsa brasileira: 8,34% no início de janeiro aumentando para 16,80% no fim de junho (o que aconteceu mais para o final do semestre)
  • Fechamento da curva de juros reais (NTN-B) (a queda das taxas de juros): 8,26% no início de janeiro aumentando para 11,40% no fim de junho (o que aconteceu)
  • Fechamento da curva de juros nominal (pré-fixados) que iria fechar (caírem as taxas de juros): 6,72% no início de janeiro aumentando para 8,79% no fim de junho (o que aconteceu)
  • Melhora do mercado internacional: 0,35% no início de janeiro para 2,59% no fim de junho (o que aconteceu)


E o que aconteceu nos primeiros meses do ano

Os mercados globais começaram o ano em tom de cautela, “assustados” com cenário internacional conturbado no final do ano, em meio ao medo da desaceleração global e tensões políticas. Contudo, a cautela logo deu lugar para um certo otimismo, impulsionado por uma mudança de postura do banco central americano, que inverteu o sinal ao indicar uma pausa nas altas dos juros.

Com isso, as bolsas globais iniciaram o ano em alta, com os juros nos EUA estáveis pela primeira vez desde meados de 2017. Conversas entre EUA e China para resolver a guerra comercial contribuíram para uma melhora do cenário econômico, instigando as bolsas a continuarem com um movimento de alta.

Porém esse cenário se deteriorou em maio com o agravamento da guerra comercial entre os dois países. As bolsas globais recuaram, marcando o primeiro mês de queda no ano. Lá fora valeu mais uma vez a maldição do mês de maio.

A recuperação dos mercados globais se deu no início de junho, com notícias de que os bancos centrais iriam intervir com novos estímulos monetários. Bolsas globais encerraram o semestre em alta, liderada pelas bolsas americanas que bateram suas máximas históricas.

O mercado local sentiu o clima de tensão global. A situação ficou ainda mais sensível com a situação política nacional. O mercado virou o ano esperando uma reforma expressiva da previdência e apostou em um processo de tramitação rápido no governo. Ao perceber que o processo político seria mais demorado, teve dificuldades em ultrapassar a barreira dos 100 mil pontos, com investidores esperando pela aprovação da reforma. Depois de um janeiro muito otimista, fevereiro e março foram meses mais difíceis.

Abril começou no mesmo tom negativo, mas salvou-se no final. Em maio, o vai e vem no humor dos mercados seguiu dançando, com um olho em Brasília e outro no cabo-de-guerra entre Trump e Xi Jinping.

Mas aqui a maldição de maio não teve vez.

O presidente Bolsonaro fez uma jogada de risco convocando a população para um ato de apoio ao presidente. A estratégia deu certo antes mesmo das passeatas tomarem forma. O que se viu foi uma virada surpreendente, um giro de 180º no clima político. Congresso, Governo e STF alinhados e a expectativa de aprovar a reforma ainda no primeiro semestre, buscando a economia perto de R$1 tri, muito perto da proposta original.

Daí em diante, até o final do semestre foi uma linha reta para cima. O mercado otimista com a perspectiva de aprovação da Reforma da Previdência (que acabou acontecendo em primeiro turno na Câmara dos Deputados no início de julho). Nem os números ruins da economia tiraram o fôlego do mercado, que preferiu ver nisso mais um indício que o Banco Central deve cortar a taxa de juros em breve.

Os gráficos e tabela abaixo resumem em números do que aconteceu durante o semestre nos mercados.

db_15082019_img_01 Evolução dos índices de ações e “proteções” no 1º semestre: db_15082019_img_01 Evolução dos índices de renda fixa no 1º semestre: db_15082019_img_01

Coloquei abaixo uma breve explicação sobre cada um dos índices mencionados nos gráficos acima para você conhecer ou relembrar o que eles significam.

O CDI, Certificado de Depósito Interbancário, representa a média dos empréstimos que os bancos fazem entre si para fechar o caixa do dia, sendo definido como o investimento de menor risco de mercado. A maioria dos fundos multimercados usa o CDI como o benchmark a ser batido.

O Dólar é a cotação da moeda norte-americana contra o nosso Real.

O IRF-M, calculado pela ANBIMA, é composto por uma carteira teórica de títulos públicos de renda fixa pré-fixados. Enquanto o IMA-B é o índice que mostra o desempenho dos títulos públicos indexados à inflação.

O índice Ibovespa é composto das ações mais líquidas do Brasil, representando 85% da negociação total da bolsa. Já o índice S&P 500 é uma carteira composta das 500 ações mais importantes da bolsa norte-americana, em termos de tamanho, liquidez e classificação setorial.



Como o FoF SuperPrevidência se comportou no semestre

Como o fundo completou 6 meses, agora já podemos falar sobre performance.

O fundo rendeu 5,35% no primeiro semestre do ano (o equivalente a 173,96% do CDI).

Considerando os 8 meses, desde o início do fundo em 28/10/2018 até o fim do semestre em 28/06/19, o FoF acumula um retorno de 6,56% (ou 158,16%).

db_15082019_img_01

Esse resultado, acima do esperado para o fundo, nos anima bastante.

Mas como já falei em um Diário de Bordo algumas semanas atrás, não devemos nos basear em resultados passados para criar expectativas para o que vem pela frente. Especialmente em um produto desenhado para o longo prazo.

Até porque esse resultado do fundo estampado no gráfico acima não mostra como foi difícil chegarmos até aqui.

A tabela abaixo mostra como ao caminho não foi tranquilo o tempo todo. Coloquei os retornos mensais do FoF SuperPrevidência desde seu início.

db_15082019_img_01

Uma outra forma interessante de analisar a rentabilidade de um fundo, é investigar de onde veio o retorno.

No caso do FoF SuperPrevidência, buscamos entender quais os gestores e classes de ativos mais contribuíram para o resultado do fundo.

O gráfico abaixo resume uma parte dessa análise para os resultados do primeiro semestre do ano.

db_15082019_img_01

Todas as classes de ativos contribuíram positivamente para o resultado do semestre.

Destaque para Renda Variável, que mesmo com uma alocação menor, contribuiu com quase o mesmo resultado que a parcela dos Multimercados.

Cabe um destaque também para “Proteções”. Com a alta da bolsa e dos bonds americanos e a relativa estabilidade do Dólar, a classe performou positivamente, na mesma direção do restante da carteira.



E como cada gestor se comportou...

Como resumi mais acima, nesse primeiro semestre do ano, passamos por um período de altas e baixas, marcado por incertezas nos mercados globais e locais. Ainda assim nossos gestores conseguiram se posicionar bem frente a esses movimentos.

Apesar da volatilidade, todos os fundos presentes na carteira desde o início do ano bateram o CDI neste semestre.

db_15082019_img_01

O gráfico abaixo mostra o quanto cada fundo ou índice rendeu (medido pelo retorno no eixo vertical) no primeiro semestre, comparado com quanto de risco ele correu (medido pela volatilidade no eixo horizontal).

db_15082019_img_01

Como “ler” o gráfico: quanto mais próximo do canto superior esquerdo, melhor. Naquele canto temos alto retorno e baixo risco.

Uma carteira bem montada, como a do FoF SuperPrevidência, conta com o efeito de diversificação, isto é, consegue ter uma relação de retorno por risco melhor que os ativos individuais.

Para isso temos que olhar para a correlação entre os ativos da carteira. Correlação “mede” quão ligados, ou relacionados, estão os movimentos entre 2 ativos.

A correlação pode ir de –100% (maior descorrelação, o que um ativo faz o outro faz exatamente o contrário) a +100% (maior correlação, o que um ativo faz o outro faz exatamente o mesmo). Assim, quaisquer valores diferentes de 100% gera um efeito diversificador. E, portanto, quanto menor a correlação entre os fundos, melhor a diversificação.

Abaixo podemos ver a correlação entre os fundos presentes na carteira durante todo o semestre, em %. A área em azul mostra os pares de fundos com menor correlação (são 23 dos 45 pares, que geram a melhor diversificação para a carteira). A área verde mostra os pares com correlação moderada (12 pares) e a área cinza os pares com alta correlação (10 pares, os mais parecidos entre si).

db_15082019_img_01

Para você entender um pouco mais sobre como cada gestor contribuiu para a carteira, escrevi alguns comentários sobre cada um deles.

Renda Fixa Crédito

Icatu Vanguarda: o fundo obteve retorno de 3,13% no semestre, impulsionado por um resultado positivo nas posições de crédito (1,88%) e apostas em taxas de juros (1,25%). Ao longo do semestre, a gestora diminuiu suas posições em juros nominal e inflação implícita, aumentando a posição em juros real. A gestora optou em ficar alocado em ativos com vencimentos mais curtos. Essas mudanças na carteira estão em linha a expectativa de que o governo conseguiria aprovar as reformas.

Capitânia: o fundo obteve retorno de 3,68% no semestre, com investimentos focados em ativos imobiliários e logísticos apresentando bons retornos. O prêmio de risco implícito no preço dos ativos caiu bastante ao longo do semestre, fazendo com que tivessem um resultado acima do esperado. Saíram de algumas posições para abrir espaço na carteira para ativos melhor avaliados. Continuam otimistas com os próximos meses, e estão com uma lista de bons candidatos para entrar no fundo.

CA Indosuez: o fundo entrou na carteira em meados de maio. Teve um primeiro mês difícil, com alguns papéis apresentando retorno abaixo do esperado. Um exemplo foi Lojas Americanas: uma nova emissão de debêntures fez com que o papel fosse reprecificado para baixo, prejudicando sua rentabilidade. Contudo, a gestora está otimista com o cenário atual. Devido ao tamanho dos fundos da gestora, conseguiram entrar em algumas operações direto na emissão primária (quando os ativos são lançados no mercado pela 1ª vez). Estão focados em empresas que não tenham problemas de liquidez.

Brasil Plural: o fundo obteve retorno de 3,29% no semestre, beneficiado pelo fechamento dos spreads nos primeiros meses do ano. A reprecificação da debênture das Lojas Americanas impediu a carteira de ter maiores ganhos, sendo ela o papel com pior desempenho. Em maio, saíram de alguns papéis mais curtos e alocaram em papéis com maior taxa de retorno. A gestora está otimista com cenário econômico, já de olho em novos ativos para entrar na carteira.

Multimercados

Adam: o fundo obteve retorno de 6,87% no semestre, impulsionado pela alta da bolsa americana e valorização do dólar americano e do franco suíço. Em março, preocupados com a situação da economia local, diminuíram a exposição a renda variável no Brasil, o que acabou sendo o principal detrator da carteira. Continuam com a mesma postura, apostando no corte de juros dos EUA e desaceleração global, com valorização do dólar e do franco suíço frente ao euro.

Ibiúna: o fundo obteve retorno de 5,01% no semestre, com destaque para os ganhos em juro real (1,69%) e bolsa local (0,83%). O gestor iniciou o ano otimista com o cenário macroeconômico do Brasil e EUA, apostando na queda de juros e aprovação da reforma da previdência. Do lado negativo, destaque para a posição comprada em juros do México, onde perderam dinheiro, mas não se desfizeram da posição acreditando na recuperação do ativo.

Kinea: o fundo entrou na carteira meados de maio. Apesar de curto, o período até o fim do semestre foi muito bom, ganhando principalmente com bolsa local e juros reais. Na bolsa, suas principais alocações foram em bancos e empresas do setor elétrico. Apostou na queda dos juros reais, o que se concretizou com o forte fechamento das taxas. O gestor diminuiu posições nos juros reais e alocou em juros americanos apostando em ciclo de queda dos juros.

SPX: o fundo obteve retorno de 3,79% no semestre. Destaque para a posição aplicada em juros Brasil, favorável à queda dos juros, sendo o destaque da carteira. As posições na bolsa local e nas commodities também contribuíram positivamente, mas em menor escala. No lado negativo, ficou a alocação comprada no dólar americano frente ao euro e moedas de países emergentes.

Verde: o fundo obteve retorno de 8,41% no semestre, sendo o destaque da carteira dentre os fundos multimercados. Os ganhos vieram com as posições de renda fixa, tanto no juro real quanto na posição aplicada em títulos pré-fixados, bolsa brasil e bolsa americana. Aumentaram o hedge através de uma posição comprada em dólar contra o real. Mantiveram as posições de renda fixa e bolsa brasil, mas saíram de toda a posição de bolsa americana durante o mês de maio.

Vinci: o fundo obteve retorno de 6,65% no semestre, com destaque para a posição em juro real, apostando em sua queda, e em renda variável Brasil. Aproveitaram o início do ano positivo para comprar proteções, criando posição comprada em dólar contra o real. Apostaram que o dólar iria se apreciar, conforme a reforma fosse aprovada, investimento aumentasse e o governo cortasse os juros. Essa posição gerou um resultado positivo marginal na carteira. A gestora está otimista com o cenário local, porém apreensivo com o comportamento do governo perante o congresso.

Renda Variável

Alaska: o fundo obteve retorno de 3,82% no semestre. Tiveram um início de ano muito difícil, sendo prejudicado especialmente com as posições em Braskem, Suzano, Magazine Luiza e Kroton. Ao todo, essas empresas resultaram em cerca de 6% de prejuízo. Aumentaram a posição em Kroton no início do ano. Mesmo tendo um semestre de resultado fraco, continuam otimistas com o cenário doméstico e não pretendem desfazer-se de nenhuma posição.

Apex: o fundo obteve retorno de 10,11% no semestre, com destaque para Localiza (2%), Bradesco (1,6%), BTG (1,5%) e Mercado Livre (1,25%). Os detratores da carteira foram as posições em Lojas Americanas, CVC e B2W. Mesmo tendo um ano difícil, a gestora segue otimista, tendo uma exposição comprada acima da média. Ao longo do semestre, fizeram algumas mudanças no portfólio, investindo em Azul, diminuindo a posição em CVC e liquidando as posições em Lojas Americanas e B2W.

Athena: o fundo obteve retorno de 23,47% no semestre, sendo o principal destaque dentre os fundos de renda variável do FoF SuperPrevidência. Cesp, Cosan Logística, Aliansce Shoppings e Alpargatas foram os destaques positivos no semestre. No lado negativo, ficou apenas Vulcabrás, que teve sua posição diminuída. A carteira teve um início de ano excelente (11,1%), seguido de dois meses de turbulência no mercado local, tendo retornos de –2,46% e –0,34%. A gestora analisa as empresas individualmente sem olhar muito para o cenário macroeconômico.

Bogari: o fundo obteve retorno de 16,55% no semestre, com destaque para as posições em Banco Inter, Energisa, Alpargatas e Intermédica. No lado negativo, destaque para a posição na varejista Guararapes. O fundo segue com posições concentradas nos setores financeiros, de energia elétrica e de consumo. Ao longo do semestre, fizeram poucas mudanças, diminuindo a exposição à Energisa e compraram Pão de Açúcar. A gestora segue otimista com o cenário local, fazendo investimentos em empresas com perspectiva de apresentar bons resultados com a melhora econômica.

Brasil Capital: o fundo teve início no mês de abril, em um período de stress para as bolsas globais e brasileira. Destaque para Alupar, B3, Cosan, Rumo e Petrobrás. No lado negativo, o maior detrator foi CVC, que sofreu com uma alta do dólar e quebra da aero Avianca. A carteira segue com posições concentradas em empresas midcap com maior liquidez. Gestora está otimista com a melhora do mercado e aposta na queda de juros.

Proteções

SPXI11: o fundo obteve retorno de 16,76% no semestre, impulsionado pela alta histórica da bolsa americana. O fundo, seguindo o índice S&P 500, teve um semestre com performance excelente, com exceção do mês de maio que teve retorno negativo dada a guerra comercial. O retorno do fundo é expresso em reais, combinando o retorno do índice com o retorno do dólar.

Pimco: o fundo teve início no mês de fevereiro. Teve um bom desempenho no início do semestre, chegando à máxima no meio de maio. O retorno do fundo é expresso em reais, combinando o retorno da carteira de renda fixa internacional com o retorno do dólar. Conforme o real se valorizou na seguinte quinzena de maio em diante o fundo viu seu retorno reduzir.



Porque fechamos o FoF SuperPrevidência para novas contratações?

Perto do final do semestre (em 11/06/19) fechamos o FoF SuperPrevidência para novos entrantes, quando o fundo atingiu o patrimônio de R$ 1 bilhão.

Esse fechamento só vale para novos entrantes. Ou seja, se você já tem um certificado ativo, graças a uma particularidade do setor de previdência, você pode continuar a fazer aportes sempre que quiser.

Fechamos o fundo porque 2 dos 17 fundos atingiram sua capacidade.

Mas o que significa essa capacidade de investimento (ou capacity)?

Esses 2 gestores entendem que hoje não conseguem gerir, com a mesma qualidade, um volume de recursos maior do que eles já têm sob gestão. Então, de forma prudente, param de aceitar novos investimentos nos seus fundos.

Nós seguimos a mesma lógica. Ao não conseguir mais investir nesses fundos, tínhamos duas opções: continuar aceitando novos recursos no FoF SuperPrevidência (e diluir o percentual alocado nesses fundos fechados) ou fechar o fundo para captação (e manter os percentuais alocados o mais próximo possível da carteira teórica). Escolhemos a última opção.

Graças a uma particularidade do setor de previdência (que garante aos investidores que já têm certificados ativos o direito de continuar investindo), o patrimônio do FoF SuperPrevidência segue crescendo (ainda que mais lentamente) mesmo depois do fechamento para novos entrantes.

Já prevendo isso (e considerando as contribuições periódicas agendadas pelos investidores), já negociamos capacity com esses 2 gestores pensando em manter a alocação da carteira ao longo do tempo.

Então não se preocupe. Estamos de olho nas alocações do FoF SuperPrevidência e vamos ajustá-la sempre que necessário.



Concluindo...

Começamos nossa longa jornada com o pé direito. Apesar do cenário político-econômico conturbado, fechamos o primeiro semestre de 2019 com um resultado excelente.

O retorno de 5,35% (ou 173,96% do CDI), já líquido das taxas do fundo, é inclusive bastante superior ao retorno histórico da carteira teórica “SuperPrevidência” publicação da Empiricus.

Além do retorno, importante atentar-se para a volatilidade do FoF. A volatilidade é uma das medidas de risco usadas em investimentos. Quanto maior o número, mais “nervoso” é o comportamento do fundo. No período, os retornos do FoF apresentaram uma volatilidade anualizada de 2,27% frente aos 19,88% do Ibovespa.

Em um período marcado por incertezas, conseguimos encerrar o semestre com resultados satisfatórios. Vamos em busca deles no restante do ano, sempre com o olho no longo prazo e munidos de proteções. A principal tese por trás do FoF (alocação balanceada em diversas classes de ativos e diversificação em vários gestores, com ideias e apostas diferentes) mostrou seu valor.

Esses resultados nos animam. Especialmente porque conseguimos montar um produto com qualidade excepcional e muito diferente do que normalmente é oferecido em Previdência por aí. E vamos continuar assim, trabalhando com total transparência e buscando democratizar o acesso às melhores oportunidades de investimento.

Mas temos que ficar atentos para os meses à frente. As novas condições do mercado brasileiro (com juros mais baixos e bolsa em recordo de alta) e os temores de desaceleração na economia mundial formam um cenário desafiador para os gestores.

Vamos continuar navegando e acompanhando diligentemente os investimentos que temos hoje, enquanto permanecemos atentos para novas oportunidades.


Esperamos que este papo tenha sido proveitoso.
Mais uma vez obrigado pela confiança.
Segue o barco...
Um forte abraço,

Jojo e Equipe de Gestão Vitreo

db-jojo-img