CARTA SEMESTRAL

janeiro/2019

Bem-vindo(a) a bordo - Carta Semestral 01

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"Thought is the wind, knowledge the sail, and mankind the vessel."
O pensamento é o vento; o conhecimento, a vela e a humanidade, a embarcação.



Oi, tudo bem?

Espero que seu ano tenha começado bem. Por acaso, você tem 10?

10 minutos e 10 anos pela frente?

Então, seja bem-vindo ou bem-vinda ao nosso papo semestral sobre o Vitreo FoF SuperPrevidência Icatu FIM (O "FoF SuperPrevidência").

Quero que você imagine um barco que acabou de entrar no mar...

Estamos sentados no convés, você e eu. A viagem é longa, dura anos. Mas sabemos aonde queremos chegar.

Minha ideia é dar as coordenadas de aonde estamos indo, entender as marés, ver o que consigo enxergar à frente, como vai o clima... e quando é hora de içar velas e ir buscar outros ventos.

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Cuidar do dinheiro alheio é uma tarefa muito delicada. Cada pessoa pensa seus investimentos de um jeito. Quando comecei a gerir fortunas, achava estranho que, enquanto um investidor nem fazia questão de saber no que estava investindo, outros me ligavam todos os dias, ansiosos por notícias.

Aprendi que o ideal é apresentar o trabalho de acompanhamento que eu faço e deixar o cliente confortável para segui-lo de acordo com seu interesse. Com o tempo, ganha-se mais conforto e segurança.

Estamos embarcando em uma longa viagem. Estamos falando de previdência, aquele dinheiro que você usará no futuro.

A cada 6 meses, vamos sentar no convés para um papo mais profundo. Como gestor da Vitreo, vou fazer um apanhado mais detalhado, explicando o que fizemos até aqui, como cada gestor performou e o que vemos pela frente. Se preciso, recalcularemos a rota.

A Icatu, seguradora do plano, participa dessa jornada, e vai estar lá quando chegar a hora do desembarque. Ela é quem se responsabiliza por dar ao investidor uma renda em sua aposentadoria ou sacar o dinheiro gradualmente.

Antes de partirmos, vamos, juntos, recordar alguns pontos?

O FoF busca seguir a carteira teórica idealizada pela Luciana Seabra, especialista em fundos da Empiricus. É preciso ter em mente que a Vitreo, no seu papel de gestora, faz a devida diligência dos investimentos do FoF. Avaliamos, repensamos e ponderamos as composições. E nem sempre seguimos à risca as recomendações. Vamos dividir com você quando isso acontecer.

Que tal dar uma olhada no que estamos levando no barco?



No que o FoF investe, mesmo?

O primeiro ponto a se destacar é a composição do FoF. A carteira do FoF foi construída buscando diversificar investimentos em várias classes de ativos. Juntamos alguns dos melhores gestores especialistas em renda fixa, multimercados e renda variável. Aqui estão os fundos escolhidos:

 

2 fundos de Renda Fixa

Vitreo Icatu Seg Conservador FIC FI RF CP é gerido pela Icatu Vanguarda, exclusivo para os clientes da Vitreo, que aplica cerca de 80% de seu patrimônio em títulos públicos e a parcela restante em títulos de crédito privado de excelente classificação de risco. Ele é o colchão de segurança e liquidez do fundo e busca render próximo do CDI. Os gestores do fundo podem fazer pequenas apostas no mercado de juros brasileiro. O fundo tem baixo nível de risco.

Capitânia Multiprev Master FIRF Crédito Privado investe em crédito (títulos de dívida) privado e é gerido pela Capitânia. O objetivo de rentabilidade do fundo é entregar CDI + 0,5% a.a., alocando entre 40%-50% em Debêntures, CRIs e cotas de FIDCs. Os outros 50%-60% são alocados em títulos públicos federais pós fixados e CDB. O rating médio da carteira é AA+. O fundo tem risco de crédito moderado.

 

5 fundos Multimercado

Adam Icatu Prev 1 FIC FIM é gerido pelo Marcio Appel na Adam, que investe sua própria previdência no fundo. Desde o final de 2018 o fundo está apto a investir 10% dos seus recursos no exterior, além das apostas tradicionais nos mercados locais. A consequência esperada é mais diversificação: mais ganho no longo prazo com menos risco. Ainda assim, dentre os fundos multimercados, é o mais arrojado da carteira.

Ibiúna Previdência Icatu FIFE FIM é gerido pela Ibiúna, uma das primeiras gestoras independentes de multimercados brasileiros a ter sua versão para a previdência. é comandada pelos ex-diretores de política monetária do Banco Central, Mario Torós e Rodrigo Azevedo. A expertise deles em juros e câmbio é complementada pela de André Lion, ex-Itaú e ex-BRZ, em renda variável. Essa combinação tem um risco moderado.

SPX Lancer Icatu Multiprev FIC FIM é gerido pela SPX, comandada pelo Rogério Xavier. "Irmão" do renomado Nimitz, o fundo investe em juros, moedas e renda variável no Brasil e também no exterior - seguindo, é claro, as regras do mercado de produtos de previdência. Para orquestrar essa adaptação de estratégia, o maestro é Bruno Marangoni. O fundo tem nível moderado de risco.

Verde AM Previdência I FIC FIM Previdenciário é gerido pela Verde Asset, que tem no comando Luis Stuhlberger. O fundo de previdência não replica o conhecido fundo Verde. Ele fica aos cuidados do Luiz Parreiras, que coordena as recomendações de uma equipe de análise de cenário econômico, juros e câmbio e renda variável. O fundo tem nível moderado de risco.

Vinci Equilíbrio Icatu Previdência FIFE Master FIM é gerido pela Vinci. Até 40% da carteira do fundo pode ser investida em renda variável (especialmente em ações pagadoras de dividendos) e o restante principalmente em títulos públicos de renda fixa atrelados à inflação. Ele é um divisor de águas entre os multimercados e os fundos de renda variável. O fundo tem risco moderado.

 

3 fundos de Renda Variável

Alaska Black Icatu Prev FIFE FIM é o fundo de renda variável gerido pela Alaska, que serve como a pitada de risco da carteira. Os gestores Luiz Alves Paes de Barros, Henrique Bredda e Ney Miyamoto, vão atrás das grandes oportunidades esquecidas, como as que parecem muito ruins ao restante do mercado. Assim, ele busca valorizações expressivas, mas também está sujeito a prejuízos significativos no curto prazo. O fundo investe 70% em ações e os 30% restantes em títulos públicos e tem risco elevado.

Athena Icatu FIA Previdenciário FIFE é o fundo de renda variável gerido pelo André Vainer da Athena. A gestora estuda a empresa profundamente e compra a ação para carregar por bastante tempo - nada de comprar ou vender porque o cenário econômico de curto prazo parece desfavorável ou porque o ciclo econômico não é ideal para a companhia. O foco é em negócios bons capazes de gerar retornos seja qual for o cenário. O fundo investe 100% em ações e, portanto, tem o risco elevado.

Bogari Value Icatu Prev FIM FIFE é o fundo de renda variável da Bogari, comandada pelo Flavio Sznajder. A casa investe em ações para o longo prazo e de forma fundamentalista. A experiência do gestor no mercado real, antes do setor financeiro, é um diferencial fundamental na forma como a Bogari enxerga as oportunidades no mercado. O fundo investe 70% em ações e os 30% restantes em títulos públicos e tem risco elevado.

 

Desde o inicio do FoF até agora mantivemos a alocação bem próxima da carteira sugerida pela Luciana Seabra na publicação "Melhores Fundos de Investimento", da Empiricus.

Encerramos o ano de 2018 com a seguinte composição:

Vitreo Icatu Seg Conservador FIC FI RF CP

33,15%

Capitânia Multiprev Master FIRF CrPr

24,93%

SPX Lancer Icatu Multiprevi FICFIM

9,95%

Ibiuna Previdência Icatu FIFE FIM

7,00%

Verde AM Previdência I FICFIM Previdenciário

7,04%

Adam Icatu Prev 1 FICFIM

7,05%

Bogari Value Icatu Prev FIM FIFE

5,05%

Vinci Equilibrio Icatu Previdência FIFE Master FIM

2,50%

Athena Icatu FIA Previdenciário FIFE

1,79%

Alaska Black Icatu Prev FIFE FIM

1,52%

Caixa

0,01%

*Fonte: Carteira Vitreo FoF SuperPrevidência Icatu FIM, dia 31/12/18.

Ao olharmos o mandato de cada fundo (o que cada gestor se comprometeu a fazer), podemos reagrupá-los e ter uma nova visão sobre a carteira. Ao fazer isso, podemos esperar que nossos gestores combinados tenham a seguinte exposição:

Renda Fixa

41,1%

Crédito Privado

19,2%

Multimercado

32,3%

Renda Variável

7,60%



Como os gestores estavam posicionados (no que eles apostaram) nesses últimos meses de 2018

No início de novembro, de acordo com nossos cálculos, aproximadamente 19% da carteira do FoF estava indiretamente alocada em títulos privados, 6% em ações, 14% em operações compromissadas e o restante em títulos públicos. Já em dezembro percebemos um aumento da alocação em ações para 10% e um pequeno aumento da alocação em títulos privados para 21%.

Ao analisarmos as posições combinadas dos fundos investidos em mais detalhes, o FoF concentrava, no último bimestre do ano, suas principais apostas nas seguintes teses:

  • alta da bolsa brasileira: 5,4% no inicio de novembro aumentando para 9,4% no inicio de dezembro (o que aconteceu mais para o final do ano)
  • fechamento da curva de juros reais (NTN-B) (a queda das taxas de juros): 5% no inicio de novembro aumentando para 10% no início de dezembro (o que aconteceu)
  • fechamento da curva de juros nominal (pré-fixados) que iria fechar (caírem as taxas de juros): 3,6% no inicio de novembro aumentando para 9,5% no inicio de dezembro (o que aconteceu)


E o que aconteceu nos últimos meses do ano

O cenário internacional confuso ditou o ritmo dos mercados nos dois últimos meses do ano. O fim de ano foi nervoso para os mercados, marcado pela expectativa do aumento dos juros nos EUA (e consequente diminuição da liquidez global) e pelo receio de uma desacelaração mais significativa do ritmo de crescimento mundial.

No inicio de novembro, as bolsas internacionais caíram, os juros subiram nos EUA e o dólar americano se fortaleceu contra as demais moedas. O nervosismo se acentuou ao longo de dezembro quando o banco central americano manteve o ciclo de altas de juros, decepcionando o mercado que esperava uma trégua. Bolsas fecharam o ano com quedas ainda maiores, enquanto as taxas de juros americanas recuaram do pico de novembro.

O mercado local sentiu o clima de tensão global. A recuperação foi mais visível no apagar das luzes do ano, com o mercado já mais animado com boas expectativas em relação ao novo Governo.

Dentre as principais aplicações financeiras no Brasil, destaque para investimentos em ouro (que reage muito bem em cenário de aversão a risco global) e nas moedas norte-americana e européia. A bolsa brasileira, que teve um bom resultado em novembro animada com a indicação das equipes do novo governo, seguiu o ritmo de queda das bolsas internacionais e devolveu parte dos ganhos em dezembro. Apesar do cenário mais nervoso, as taxas de juros por aqui continuaram em queda, principalmente sustentadas por uma perspectiva de inflação baixa e sob controle para os meses à frente. O destaque negativo ficou para a queda das taxas de juros internacionais, que acabou atrapalhando o final de ano de muitos gestores multimercados.



E como cada gestor se comportou...

p>Nesses primeiros meses do FoF, vivemos um período bastante nervoso no mercado, como dissemos acima. Tanto nos investimentos em renda variável como em multimercados tivemos destaques positivos (Bogari, Athena, Adam e Verde) e negativos (Alaska e SPX).

Abaixo alguns comentários sobre nossos gestores.

Renda Fixa e Crédito

Icatu Vanguarda: o fundo teve ganhos nas posições em crédito, e apostas em queda da taxa de juros real e nominal. Essas posições representam um otimismo com o próximo governo. Mas o gestor mantém uma posição comprada em inflação implícita, que funciona como uma proteção para a carteira do fundo.

Capitania: em novembro o fundo aproveitou bem a melhora da percepção de risco de vários ativos em carteira. Já em dezembro, a rentabilidade do fundo foi impactada pela reprecificação de 2 ativos de lastro imobiliário (incorporadora You,Inc e a empresa de loteamentos Gran Viver), ambos com exposições reduzidas no fundo. O gestor vê sinais positivos no mercado de crédito, refletindo boas perspectivas para o ano de 2019. Hoje o segmento de atuação mais relevante é o de energia elétrica.

Multimercados

Adam: o fundo foi o destaque entre os multimercados do FoF no último bimestre do ano. Em novembro, as apostas em renda variável e renda fixa local contribuíram positivamente para o desempenho do fundo. Em dezembro, as posições apostando na queda das taxas de juros locais explicam a performance. Vale destacar que a turbulência do cenário externo impactou pouco o fundo de previdência uma vez que a possibilidade de investimentos no exterior só foi implementada no final do ano.

Ibiúna: no bom desempenho do fundo no último bimestre, destaque para a posição aplicada em juros no Brasil, apostando na queda da taxa. No lado negativo ficou a aposta na alta das taxas de juros norte-americanas. A estratégia Macro segue posicionada para se beneficiar de um cenário mais construtivo no Brasil, ao mesmo tempo em que reduziram o risco alocado em posições globais, em meados de dezembro, diante de um ambiente externo mais desafiador pela frente.

SPX: o principal detrator de performance nos últimos meses do ano foram as alocações em juros globais (apostavam na alta das taxas). O fundo continua apostando na alta da bolsa brasileira, no fortalecimento do dólar americano frente a moedas de países emergentes, na alta do petróleo e queda das taxas de juros no Brasil e alta de juros em alguns países emergentes.

Verde: os ganhos no último bimestre do ano foram mais concentrados em novembro, com as posições de ações no Brasil e em renda fixa, tanto no juro real quanto na posição aplicada em pré. A posição comprada na moeda norte-americana também trouxe ganhos marginais. O destaque negativo ficou por conta da posição na bolsa norte-americana, que sofreu principalmente em dezembro.

Vinci: o bom desempenho no ultimo bimestre do ano pode ser explicado pela alocação em renda váriável e pela queda das taxas de juro real. O resultado foi em parte atrapalhado pelas posições compradas em inflação implícita e pela aposta na queda das taxas de juros americanas. O fundo fechou o ano com 16,5% alocado em renda variável, 22% apostando na queda da taxa de juros real e uma pequena aposta na alta dos juros norte americanos. Continuam zerados na moeda americana.

Renda Variável

Alaska: as posições de Petrobrás e Kroton, foram as que prejudicaram o fundo no final do ano. O gestor mantém uma visão construtiva com Brasil e reforçou as posições no mercado interno, com destaque para Magazine Luiza, Petrobrás e Vale.

Athena: Natura, Mills, Hering e Locamérica foram destaques positivos no final do ano. O resultado já demonstra como o mercado voltou a olhar mais para as empresas relacionadas com economia doméstica e ativos de menor liquidez. Ainda assim, o gestor mantém cautela nas suas premissas de análise. O fundo foi o maior destaque da carteira do FoF no último bimestre do ano.

Bogari: destaque para as posições em Cemig e Linx, que apresentaram altas relevantes no final do ano. O fundo demonstrou resiliência ao forte ajuste de preços dos ativos globais, sendo um dos destaques do FoF em dezembro. A carteira segue composta por empresas com bons fundamentos e com a perspectiva de apresentar bons resultados nos próximos anos. O fundo segue com posições concentradas nos setores de energia elétrica, bancos/serviços financeiros e consumo.

Concluindo...

Tempos difíceis, mas com resultados satisfatórios nesse inicio de viagem a bordo do FoF.

Até Maio de 2019, não poderemos falar sobre seus resultados em razão de regras de divulgação da CVM.

E isso é por uma causa nobre. A Comissão de Valores Mobiliários, a principal reguladora do mercado de capitais adota essa restrição, por meio da Instrução CVM 555, para garantir que o investidor não seja atraído com falsas promessas de rentabilidade relacionadas com histórico pouco suficiente para avaliar o desempenho do fundos.

No entanto, trouxemos comentários sobre o desempenho dos fundos investidos.

Como dissemos, esta é uma longa viagem. Dois meses são uma janela curta para maiores análises. Mas, a principal tese por trás do FoF (diversificação em vários gestores, com ideias e apostas diferentes) já mostrou o seu valor. Em um período conturbado nas águas internacionais e de mudanças no cenário político-econômico local, tivemos um início de viagem tranquilo. 2019 já começou com vento forte a favor.

Esperamos que este papo tenha sido proveitoso. Vamos continuar navegando e acompanhando diligentemente os investimentos que temos hoje, enquanto permanecemos atentos para novas oportunidades.


Esperamos que este papo tenha sido proveitoso.
Mais uma vez obrigado pela confiança.
Segue o barco...
Um forte abraço,

Jojo e Equipe de Gestão Vitreo

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